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9 de setembro de 2011

Uma Flauta Mágica


Olá Netos Cibernéticos!

A Velha foi ver a montagem “Uma Flauta Mágica”  de Peter Brook.



“Uma Flauta Mágica” é uma livre e sucinta adaptação feita por Peter Brook, Franck Krawczyk e Marie-Hélène Estienne, da ópera ‘A Flauta Mágica’, de Wolfgang Amadeus Mozart.
A montagem começa com o príncipe Tamino perdido na floresta, onde encontra Papageno, um caçador de pássaros. Papageno é um homem alegre que aprecia os prazeres da vida e trabalha para a Rainha da Noite. Deste encontro Tamino fica sabendo que Pamina, filha da Rainha da Noite, foi sequestrada por Sarastro. Após ver um retrato da bela jovem o príncipe se apaixona por Pamina e, a pedido da Rainha da Noite, decide resgatá-la.
Há dois casais que se formam na montagem, Tamino-Pamina, eixo central da montagem representando a realeza, e Papageno-Papagena, simbolizando o lado comum da humanidade. Durante o desenrolar da montagem Tamino e Pamina passam por algumas provas antes de poderem se encontrar, sendo uma delas o voto de silêncio feito por Tamino, que acaba por causar imensa dor em Pamina. As dificuldades se tornam maior pela luta entre a Rainha da Noite, que ambiciona o poder, e Sarastro, rei e sacerdote de Ísis, praticante do bem. Para Sarastro trabalha, porém, o mouro Monostatos, que tenta seduzir Pamina e se alia à Rainha da Noite. Papageno também passa por um tipo de prova antes de encontrar Papagena, e este contraponto do homem comum que se comporta de modo diferente do príncipe diante das adversidades é o lado cômico que faz esta versão de Brook ser tão leve.
A montagem dura uma hora e meia e mantém os sete personagens principais da ópera de Mozart. Desaparecem da trama as damas da Rainha da Noite, o trio de rapazes e os homens armados. Podemos dizer que Franck Krawczyk concebeu uma nova partitura musical, adaptada a partir da partitura original de Mozart, pois a transcrição da mesma foi tão magnifíca que parece ser uma nova obra. Com isso a orquestra foi substituída por um maravilhoso acompanhamento de piano. Marie-Hélène Estienne e Peter Brook adaptaram o libreto de Emanuel Schikaneder com uma poesia facinante, bem aos moldes ‘brookiano’ de se fazer teatro, sem a parnafernália habitual de adereços e efeitos cênicos utilizados em musicais mundo à fora, permitindo que o espectador entre com mais facilidade na mágica e na ternura da obra de Mozart. Brook busca a essência da obra e consegue trazê-la à tona, prevalecendo uma fábula de iniciação à sabedoria, à amizade e ao amor.
A performance teatral é simples e imaginativa, com os elementos típicos de Brook administrado com precisão: o espaço é quase vazio – com apenas alguns bambus que se transformam em palácio da rainha da Noite, em prisão dos dois amantes e em floresta – e os atores e cantores atuam descalços. Mesmo sendo uma obra adaptada livremente Peter Brook não desrespeita os aspectos singulares da ópera, permitindo assim que o espectador compreenda melhor a obra de Mozart. Os cantores são muito jovens (comparados à Velha) e se desenvolvem com grande naturalidade teatral neste estilo musical. Os atores, todos negros e belos (a Velha ficou excitada com eles), suportam o peso da trama. A ópera é cantada em alemão e o diálogo é falado em francês. A Velha espera, sinceramente, que os atuais diretores dos musicais cariocas tenham assistido à montagem de Brook e aprendido que não precisam de recursos cênicos estrondosos para prender a atenção e emocionar o espectador.
“Uma Flauta Mágica” exala um frescor e uma leveza vista em poucos espetáculos. A história é facilmente compreendida e a música de Mozart, especialmente os vocais, resplandece em sua condição mais bela. Um espetáculo que faz bem ao coração e à alma.


Classificação da Velha: ESPETÁCULO!


OBSERVAÇÃO: A Velha não poderia ignorar o fato da FUNARTE ter feito uma abusiva reserva de ingressos para a montagem em questão. Em 3 apresentações o Teatro Dulcina pode comportar 1287 espectadores, porém destes 987 lugares estavam reservados à FUNARTE e apenas 300 foram liberados. A Velha apoiou o protesto feito pelo povo carioca em repúdio à este ato da FUNARTE. O resultado do manifesto foi a apresentação extra realizada ontem a tarde (08/09), porém não podemos deixar que este episódio passe em branco. O espetáculo estava em um Teatro mantido com dinheiro público e na 8ª página, na 15ª linha do programa feito pela FUNARTE está escrito: “É preciso, claro, agradecer às instituições que tornaram possível a realização destas 3 apresentações, aliás por um preço acessível para que todos possam ter acesso a uma cultura de qualidade”. Não foi isso que aconteceu, porque os que tiveram acesso foram os 300 sortudos que conseguiram comprar o ingresso e os 987 convidados da FUNARTE. “PARA QUE TODOS TENHAM ACESSO”, apenas no papel, porque na prática foi diferente.
Claro que este episódio não diminui a importância e a qualidade da apresentação de Peter Brook no Rio de Janeiro, mas eu, como Velha que sou, não poderia deixar passar em branco tal acontecimento que desrespeitou a população carioca.

Que Dionísio ilumine o caminho dos que precisam!

17 de junho de 2011

Um Dia Como os Outros

Olá Netos Cibernéticos!

A Velha foi ver a montagem “Um Dia Como os Outros”.


“Um Dia Como os Outros” nos mostra a história de uma família que se encontra todas as sextas-feiras para jantar. Porém, este encontro é especial: além de Philippe ter sido entrevistado em um canal de televisão, sua esposa, Yolanda, está aniversariando. O tradicional ponto de encontro de todos é o bar da família, que atualmente está aos cuidados do irmão mais velho, Henrique. No bar trabalha Denis, garçom que namora às escondidas a irmã caçula, Betty. Denis é detestado pela matriarca da família, Madamme Mesnard. Todos aguardam a chegada da esposa de Henrique, Arlette, para irem jantar.
Como em “Cozinha e Dependências” (mesmos dramaturgos, direção e elenco – leia o post sobre a montagem clicando aqui) a tensão se instala com o atraso de uma das personagens. Em “Um Dia Como os Outros” a demora de Arlette faz com que Madamme Mesnard comece a se exaltar, iniciando as primeiras discussões da noite. Indelicadezas, acusações entre todos e presentes equivocados mostram a complexidade das relações desta família.
A falsa harmonia é quebrada com os arranca-rabos sobre a falta de feminilidade e a solteirice de Betty, sobre a má repercussão da entrevista de Philippe, sobre o futuro do bar herdado pelo pai aos cuidados de Henrique, e sobre a ingratidão de Betty à Philippe por ter lhe conseguido um emprego. Tudo se torna um caos quando Arlette telefona para Henrique dizendo que não estará no encontro tradicional de sexta e pedindo um tempo na relação. A notícia chega aos ouvidos de todos da família que decidem comemorar o aniversário de Yolanda no bar, para não deixar Henrique sozinho.
A sintonia de todo o elenco faz com que esta montagem se torne excelente. Silvia Buarque, que interpreta Betty, deixa a desejar apenas no começo da história, pois força os movimentos masculinizados de sua personagem, porém com o desenrolar estes trejeitos se tornam fluentes. Talvez a diferença de personagem da primeira peça para a segunda, e o pouco tempo entre as mesmas, seja o motivo de tal falha, mas nada que atrapalhe o desenvolver da montagem.
Leandro Castilho, Márcio Vito e Kiko Mascarenhas estão ótimos. Por incrível que pareça o sotaque de Mascarenhas não incomodou tanto a Velha como na primeira montagem. Analu Prestes, que faz parte apenas de “Um Dia Como os Outros” está ótima também, mas o destaque, novamente, fica por conta de Bianca Byington, que interpreta deslumbrantemente a submissa Yolanda. Tanto Bianca quanto sua personagem crescem com o desenrolar da história e tomam conta total das cenas. Há muito tempo a Velha não via um público tão entregue a uma atriz (e a todo o elenco) como vi nesta montagem. A platéia estava completamente dentro de tudo que acontecia, e desde um suspiro de Yollanda a uma frase de Madamme Mesnard o público ia ao delírio com suas gargalhadas.
Não Netos Cibernéticos, não pensem que a montagem é uma comédia boba que utiliza de qualquer ferramenta para fazer o público rir a qualquer preço, é totalmente ao contrário, o humor é sofisticado, elegante e extremamente preciso. A montagem funciona com uma maestria enorme que na apresentação que a Velha assistiu o público e os atores estavam numa sintonia tão grande que em uma das cenas não se sabia quem ria mais, se quem estava dentro ou fora de cena. Por incrível que pareça essa desconcentração dos atores só acrescentou a montagem, e isso só acontece quando há uma criação de personagem tão perfeita, que possibilita o ator a entrar em harmonia com seu público e se qualquer coisa sair do roteiro não há problema, pois todos estão conectados.
“Cozinha e Dependências” é uma montagem boa, porém “Um Dia Como os Outros” é ótima. Vocês têm a obrigação de assistir ambas as montagens, principalmente para perceberem que temos no Rio de Janeiro atores tão bons capazes de se transformar em poucos minutos. Sem dúvida alguma a Velha recomenda “Um Dia Como os Outros”.


Classificação da Velha: PEÇA – ÓTIMA (entenda a classificação aqui)


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Informações sobre a montagem:

UM DIA COMO OS OUTROS
Texto: Agnès Jaoui, Jean-Pierre Bacri
Direção: Bianca Byington, Leonardo Netto
Elenco: Analu Prestes, Bianca Byington, Silvia Buarque, Kiko Mascarenhas, Leandro Castilho, Márcio Vito
Onde: Teatro Poeira
Quando: até 26 jun 2011 / sexta e sábado 21h / domingo 20h
Quanto: R$ 30.00; (R$ 40.00 para quem assistir à “Cozinha e dependências” e “Um dia como outros” no mesmo dia)


TEMPORADA ATUAL - 2012

Onde: Teatro dos Quatro
Quando: até 29 de fevereiro 2012 / segunda, terça e quarta, 21h30
Quanto: R$ 40.00;


Que Dionísio ilumine o caminho dos que precisam!