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13 de setembro de 2011

Feriado de Mim Mesmo


Olá Netos Cibernéticos!

A Velha foi ver a montagem “Feriado de Mim Mesmo”, do grupo Teatro de Extremos.


“Feriado de Mim Mesmo” é uma adaptação feita por Fabiano de Freitas, que também assina a direção dessa montagem, do livro homônimo de Santiago Nazarian.
Miguel é um escritor jovem que vive sozinho em seu apartamento. Ele trabalha em casa, não tem amigos e não conhece os vizinhos. De repente as coisas começam a se modificar: objetos que mudam de lugar, recados na secretária eletrônica, baratas que morrem, compras que não foram feitas, roupas molhadas que não são suas e uma escova de dentes vermelha. Seria um invasor sem rosto e sem nome? Quais seriam seus propósitos? Seria um fantasma, um assassino? Talvez seja tudo um surto de esquizofrenia, talvez paranóia, talvez, Netos Cibernéticos, sejam apenas atores perdidos em cena tentando entediar o público. Se o objetivo desta montagem é a última opção a Velha tira o chapéu para eles, pois o elenco conseguiu com maestria me deixar entediada.
Quando a montagem começa o primeiro ator já mostra o que vai acontecer nos próximos 90 minutos: expressões exageradas, narrativas cansativas e intermináveis. A montagem usa de tudo um pouco, faz referências à linguagem cinematográfica, tenta ter momentos fragmentados, mistura perfomance, usa recursos audiovisuais, e faz de tudo para mostrar a fisicalidade dos atores, que são mais narradores do que atores. Tentam usar tanta coisa que tudo vira uma bagunça sem fim.
A trilha sonora de Guilherme Siman é péssima. Tem música do começo ao fim, direto, com poucos momentos sem música de fundo, tudo isso para tentar dar um clima para a cena que os atores não conseguem sozinhos. Em alguns momentos a Velha quase gritou pedindo para eles desligarem a música, que era irritante.
O pior de tudo é a narrativa em excesso unida com a redundância. Se a Velha quisesse ver uma narração de histórias, teria ido à Bienal do Livro ouvir atores lendo os livros, porque foi quase isso que a Velha viu em “Feriado de Mim Mesmo”, atores que ao invés de ler sabiam o livro de cor, mas não transformavam nada em ação concreta, ficavam apenas em ‘ele caminhou até o banheiro’ e um ator caminhava até o banheiro, ‘ele não sabia se atendia ou não o telefone’ e um ator ilustrava estar em dúvida, ‘o telefone tocou’ e entrava sonoplastia de um telefone tocando. Dionísio, por favor, me responda: como pode em pleno século XXI ser feito um teatro tão redundante? É um desrespeito ao público que pensa.
Algo desnecessário em cena foi a nudez dos atores. Não havia motivo, explicação, não tinha por que. Talvez seja para tentar seduzir os olhos do público fazendo com que o mesmo se fixe nos corpos dos atores nus e esqueça que estão quase dormindo.
Há três momentos interessantes na montagem: em dois deles a Velha foi ficando feliz, pois percebia que a peça estava caminhando para o fim, porém havia uma pausa grande e a peça continuava, acabando com toda a esperança de felicidade que havia em meu ser; o terceiro momento e o mais interessante é realmente o fim da peça, saber que aquela tortura acabou.
O mais triste de tudo é que a Velha percebe que os atores acreditam demais no que fazem em cena, acreditam que teatro é aquilo, é ser redundante, é ser chato pra parecer contemporâneo, é ficar nu porque choca, é usar recursos tecnológicos. Queria eu saber quem ensinou isso à eles? EU MATO SE DESCOBRIR.
Quando cheguei em casa acendi 4 velas (uma para cada ator e uma para o diretor) e rezei para que Dionísio ilumine demais o caminho deles, pois esses sim precisam. A Velha apenas não entende como uma montagem assim estava em cartaz no SESC de Copacabana. Mas não precisem se preocupar, Netos queridos, a temporada deles acabou dia 11 de setembro (uma data simbólica para o atentado que eles cometeram contra o teatro nacional).



Classificação da Velha: PEÇA – RUIM (entenda a classificação aqui)

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Que Dionísio ilumine o caminho dos que precisam!

9 de setembro de 2011

Uma Flauta Mágica


Olá Netos Cibernéticos!

A Velha foi ver a montagem “Uma Flauta Mágica”  de Peter Brook.



“Uma Flauta Mágica” é uma livre e sucinta adaptação feita por Peter Brook, Franck Krawczyk e Marie-Hélène Estienne, da ópera ‘A Flauta Mágica’, de Wolfgang Amadeus Mozart.
A montagem começa com o príncipe Tamino perdido na floresta, onde encontra Papageno, um caçador de pássaros. Papageno é um homem alegre que aprecia os prazeres da vida e trabalha para a Rainha da Noite. Deste encontro Tamino fica sabendo que Pamina, filha da Rainha da Noite, foi sequestrada por Sarastro. Após ver um retrato da bela jovem o príncipe se apaixona por Pamina e, a pedido da Rainha da Noite, decide resgatá-la.
Há dois casais que se formam na montagem, Tamino-Pamina, eixo central da montagem representando a realeza, e Papageno-Papagena, simbolizando o lado comum da humanidade. Durante o desenrolar da montagem Tamino e Pamina passam por algumas provas antes de poderem se encontrar, sendo uma delas o voto de silêncio feito por Tamino, que acaba por causar imensa dor em Pamina. As dificuldades se tornam maior pela luta entre a Rainha da Noite, que ambiciona o poder, e Sarastro, rei e sacerdote de Ísis, praticante do bem. Para Sarastro trabalha, porém, o mouro Monostatos, que tenta seduzir Pamina e se alia à Rainha da Noite. Papageno também passa por um tipo de prova antes de encontrar Papagena, e este contraponto do homem comum que se comporta de modo diferente do príncipe diante das adversidades é o lado cômico que faz esta versão de Brook ser tão leve.
A montagem dura uma hora e meia e mantém os sete personagens principais da ópera de Mozart. Desaparecem da trama as damas da Rainha da Noite, o trio de rapazes e os homens armados. Podemos dizer que Franck Krawczyk concebeu uma nova partitura musical, adaptada a partir da partitura original de Mozart, pois a transcrição da mesma foi tão magnifíca que parece ser uma nova obra. Com isso a orquestra foi substituída por um maravilhoso acompanhamento de piano. Marie-Hélène Estienne e Peter Brook adaptaram o libreto de Emanuel Schikaneder com uma poesia facinante, bem aos moldes ‘brookiano’ de se fazer teatro, sem a parnafernália habitual de adereços e efeitos cênicos utilizados em musicais mundo à fora, permitindo que o espectador entre com mais facilidade na mágica e na ternura da obra de Mozart. Brook busca a essência da obra e consegue trazê-la à tona, prevalecendo uma fábula de iniciação à sabedoria, à amizade e ao amor.
A performance teatral é simples e imaginativa, com os elementos típicos de Brook administrado com precisão: o espaço é quase vazio – com apenas alguns bambus que se transformam em palácio da rainha da Noite, em prisão dos dois amantes e em floresta – e os atores e cantores atuam descalços. Mesmo sendo uma obra adaptada livremente Peter Brook não desrespeita os aspectos singulares da ópera, permitindo assim que o espectador compreenda melhor a obra de Mozart. Os cantores são muito jovens (comparados à Velha) e se desenvolvem com grande naturalidade teatral neste estilo musical. Os atores, todos negros e belos (a Velha ficou excitada com eles), suportam o peso da trama. A ópera é cantada em alemão e o diálogo é falado em francês. A Velha espera, sinceramente, que os atuais diretores dos musicais cariocas tenham assistido à montagem de Brook e aprendido que não precisam de recursos cênicos estrondosos para prender a atenção e emocionar o espectador.
“Uma Flauta Mágica” exala um frescor e uma leveza vista em poucos espetáculos. A história é facilmente compreendida e a música de Mozart, especialmente os vocais, resplandece em sua condição mais bela. Um espetáculo que faz bem ao coração e à alma.


Classificação da Velha: ESPETÁCULO!


OBSERVAÇÃO: A Velha não poderia ignorar o fato da FUNARTE ter feito uma abusiva reserva de ingressos para a montagem em questão. Em 3 apresentações o Teatro Dulcina pode comportar 1287 espectadores, porém destes 987 lugares estavam reservados à FUNARTE e apenas 300 foram liberados. A Velha apoiou o protesto feito pelo povo carioca em repúdio à este ato da FUNARTE. O resultado do manifesto foi a apresentação extra realizada ontem a tarde (08/09), porém não podemos deixar que este episódio passe em branco. O espetáculo estava em um Teatro mantido com dinheiro público e na 8ª página, na 15ª linha do programa feito pela FUNARTE está escrito: “É preciso, claro, agradecer às instituições que tornaram possível a realização destas 3 apresentações, aliás por um preço acessível para que todos possam ter acesso a uma cultura de qualidade”. Não foi isso que aconteceu, porque os que tiveram acesso foram os 300 sortudos que conseguiram comprar o ingresso e os 987 convidados da FUNARTE. “PARA QUE TODOS TENHAM ACESSO”, apenas no papel, porque na prática foi diferente.
Claro que este episódio não diminui a importância e a qualidade da apresentação de Peter Brook no Rio de Janeiro, mas eu, como Velha que sou, não poderia deixar passar em branco tal acontecimento que desrespeitou a população carioca.

Que Dionísio ilumine o caminho dos que precisam!